Coimbra, 23 de Fevereiro de 2008
Caro Umbigo,
Caro Umbigo,
Como tem passado? E a família? Espero que mal, ou melhor, bem, se assim conseguirmos andar… Eu, confesso, tenho-me sentido triste, enganada e, mesmo, ultrapassada.
Por isso, venho, hoje, expressar-te a minha indignação perante as atitudes que tens tomado ultimamente. Essa tua insistência em não tolerar nada nem ninguém, a não ser para tua própria conveniência e benefício, torna-te muito egocentrista.
Como consegues querer tudo só para ti? Não achas que estás na hora de começar a viver? Ninguém vive sozinho! Nem mesmo tu, que te centras na tua rotina diária, nesse rodopio de confusão que faz o mundo esquecer o que é verdadeiramente importante! Por que é que achas que o mundo está tão intolerante? Este mundo, o nosso lar, está a tornar-se cada vez mais difícil, diria mesmo insuportável! Ninguém suporta ninguém. Cada pessoa acha que só ela é que tem razão! Se ninguém sabe tudo como é possível existir tanta intolerância? Todos nós erramos! Ninguém é perfeito! Mas se não o somos, deveríamos ser mais humildes! (Se o fôssemos, seríamos a luz do Sol que ilumina, ajudando-nos mutuamente.)
Somos todos livres! Temos o direito à diferença! Somos diferentes! E imagine como seria aborrecido se todos fôssemos tão iguais, que tivéssemos os mesmos gostos, pensamentos, a mesma vida. Temos de aceitar as diferenças de cada um. E é isto que é a tolerância: a unidade na diversidade. A riqueza está na diversidade de cada um de nós, nas nossas diferenças.
Porém, não somos indiferentes. Também somos iguais. Todos temos problemas, uns mais, outros menos, uns mais graves outros nem tanto. E todos temos de os resolver. Por vezes, chegamos a fingir que não existem, para podermos cumprir o nosso trabalho. Olha em teu redor… A necessidade de compreensão é mútua. E, muitas vezes, quando não se tem a certeza, ou mesmo para evitar conflitos, não há melhor solução do que o diálogo. Já reparaste que estás sempre a matar a conversa, aos poucos, sem que ninguém dê conta?
A tolerância também demonstra o respeito que temos uns pelos outros. Aceitar a identidade cultural do outro! E, de certa forma, já que te consideras tão importante, fica sabendo que, quando toleras alguém, estás a ser superior a ti mesmo.
Se continuarmos fechados em nós mesmos, como tu tens feito, não conseguiremos ver outras perspectivas. Precisamos de mudar o nosso olhar em relação a nós. Porque, primeiro, é preciso tolerarmo-nos a nós próprios, depois, ao outro e assim, a tudo o que nos rodeia! Mudar de olhar para mudar o mundo! Evoluir… Mudar de olhar para fazer crescer a pessoa!
Apenas se consegue progresso se encontrarmos o equilíbrio, em que a cabeça e o coração interagem para um fim. É certo, que não podemos, por qualquer pequena coisa que nos afecte, deixar de fazer o que devemos e tomar isso uma desculpa.
Mas temos de tolerar mais! Vivemos nesta grande comunidade, fazemos parte dela, somos uma grande família…a Humanidade! É por isso, que não podemos deixar de perdoar, de dar uma segunda oportunidade.
Viver é uma arte que só se aprende vivendo! Como viver?!
Tolerar faz-nos sentir bem; traz-nos paz de espírito…
E nós, crianças, não vamos deixar que destruas os nossos laços, as nossas pontes!
Não vai ser a televisão, os videojogos, os SMS, o MSN e todo o mundo virtual que nos vão fazer mudar o curso do rio que corre em nós. Não somos máquinas programadas!
Nós somos as jovens sementinhas que temos de crescer, alegres, felizes, brincando uns com os outros, como sempre fizemos! Não podemos olhar à cor, raça e condição social ou intelectual. Estas tuas ideias a que dás importância, só aparecem para criar distância e intolerância entre as pessoas.
Já reparaste que não precisamos de saber falar para começarmos a brincar com uma criança da outra ponta do mundo? Não será isso tolerância? As nossas raízes, o nosso coração não vê essas coisas fúteis. Brincamos, conversamos e partilhamos coisas e sentimentos.
Espalhamos os frutos de tolerância, compreensão, amor, direito à diferença. E é nessa diferença que, nos desculpando e aprendendo com os outros, alcançamos objectivos mais altos. Ser melhores para um mundo melhor.
Como diz o poeta, “tudo vale a pena se a alma não é pequena!”. E vale sempre a pena para mudar de olhar… Vale sempre a pena mudar de olhar, para fazer crescer a pessoa… Vale sempre a pena mudar de olhar para fazer crescer a pessoa rumo à unidade na diversidade.
Para ti, um abraço muito amigo e tolerante,
Cristiane Pais Macedo
P.S: Espero breves mudanças, com muito respeito e muita tolerância.